Adonia se torna primeiro navio procedente dos EUA a atracar em Cuba em 50 anos

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Adonia faz história ao entrar em Havana procedente dos EUA.
Nesta semana, pela primeira vez desde 1962, um navio de passageiros viajou entre os EUA e Cuba. O Adonia, da Fathom Travel foi de Miami a Havana em seu segundo cruzeiro pela marca. Ainda que o embargo norte-americano ao país permaneça e turismo entre os dois países continue não sendo autorizado, a companhia, que é parte do grupo Carnival, pretende realizar, a partir de agora, suas viagens humanitárias à ilha dos Castro de duas em duas semanas.

Ontem, depois de mais de 50 anos, um navio de passageiros procedente dos EUA atracou em Cuba. O Adonia, da Fathom Travel, partiu de Miami no último dia 1, com passageiros de todo o mundo, entre eles, norte-americanos. Centenas de cubanos foram aos arredores do porto para saldar o navio, que atracou na capital Havana.

O último navio a fazer esse tipo de viagem no trecho havia sido o ferry City of Havana, que deixou Havana com destino a Key West em setembro de 1962. A embarcação era operada pela West India Fruit & Steamship Company, e operava regularmente entre os EUA e Cuba.

Considerada histórica nos EUA, a viagem foi autorizada pelos governos dos EUA e Cuba, e marcou o retorno de uma companhia de cruzeiros norte-americana à ilha caribenha depois de mais de meio século desde que isso ocorreu pela última vez. Foi também a primeira vez em décadas que cubanos puderam retornar à sua terra natal pelo mar.

Parte da Carnival Corporation, a Fathom Travel encontrou uma forma de driblar o embargo imposto pelos Estados Unidos à Cuba, após o governo deste primeiro ter flexibilizado as exigências de visto para viagens humanitárias e de voluntariado ao país, que está embargado desde a década de 60. Inaugurada em abril, a companhia oferece viagens voltadas à "intercâmbio cultural imersivo".

A proposta, é que o passageiro embarque em uma viagem humanitária para locais mais pobres, e receba um treinamento básico a bordo, antes de realizar trabalhos voluntários nos destinos onde o navio atraca, visitando escolas locais, plantando árvores e realizando outros trabalhos humanitários enquanto conhece os destinos e suas culturas. A bordo não há grandes shows nos teatros, ou casinos, em vez disso, os passageiros podem fazer worshops e aulas de espanhol.

O principal destino destes cruzeiros, é, naturalmente, Cuba, mas também estão planejadas viagens para a República Dominicana.

Devido à natureza das viagens, o governo norte-americano foi capaz de autorizar a realização dos cruzeiros entre os EUA e Cuba. De outra forma, esse tipo de roteiro continuaria não podendo ser realizado, já que o embargo para turismo em geral e para negócios entre empresas continua vigorando. Assim, entre as companhias de cruzeiro que são norte-americanas, ou são filiais dos grupos estadunidenses Carnival Corporation, Royal Caribbean Cruises e Norwegian Holdings, continuam impedidas de visitar os portos cubanos.

A exceção são as companhias europeias, como a MSC e a Celestyal, que realizam cruzeiros a partir do porto de Havana, escalando também outros portos da ilha. Nos cruzeiros são bem vindos passageiros europeus e de outras nacionalidades, com exceção dos estadunidenses. Outras diversas companhias europeias também passam por portos cubanos, com passageiros em trânsito.

Já o Adonia, realizará, a partir de agora, seu roteiro para Cuba a cada duas semanas. Além de Havana (com pernoite), o navio visita os portos cubanos de Cienfuegos, e Santiago de Cuba. Os cruzeiros cubanos são intercalados com cruzeiros para a Republica Dominicana, que visitam apenas o porto de Amber Cove.

Comissionado em 2001, o Adonia navegou pela inglesa P&O Cruises até o começo desse ano, servindo os mercados britânicos em cruzeiros ao redor do mundo. Chegou a vir ao Brasil mais de uma vez com as cores da companhia. Também visitou o Brasil várias vezes - chegando a operar a partir de Manaus durante uma temporada completa - em sua encarnação anterior, como Royal Princess para a Princess Cruises.

Com capacidade para cerca de 700 passageiros, o Adonia foi construído pelo Chantiers de l'Atlantique, de St. Nazaire, França, e também navegou como R8 e Minerva II.

Texto (©) Copyright Daniel Capella.
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