Porto e Funchal seguem imobilizados em Lisboa

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Dois dos ex-navios da frota da Portuscale Cruises permanecem atracados em Lisboa esperando pela definição de seus destinos. Reformados pela companhia, mas nunca de fato aproveitados como esperado, os navios são hoje responsabilidade de um banco português, que espera vendê-los em breve. 

Dos cinco navios da frota da Portuscale Cruises, apenas um permanece operando. Trata-se do ex-Athena, nomeado pela companhia Azores, e que agora se chama Astoria. Ironicamente o mais antigo da frota, o navio segue navegando, até, pelo menos, o terceiro trimestre do ano que vêm. Fretado pela ingelsa CMV - Cruise & Maritime Voyages ainda em 2014, o navio foi construído na década de 40, mas reconstruído nos anos 90. Atualmente, opera também pela francesa Rivages du Monde, subfretado pela CMV.

Enquanto isso, outros dois navios da frota permanecem atracados em silêncio em uma parte afastada do porto de Lisboa. O flagship, principal navio da frota, Funchal e seu companheiro Porto, estão imobilizados no cais da matinha, uma área de carga em desuso no porto da capital portuguesa. Hoje são propriedade do banco português Montépio, que os disponibilizou para venda há algum tempo. Reformados pela Portuscale, ainda precisam de cuidados para, eventualmente, voltarem e operar comercialmente, e não parecem ter encontrado ainda compradores interessados.

Inaugurado em 1964, o Funchal foi o orgulho da frota portuguesa por muitos anos, tendo sempre mantido seu nome original, e, apesar de ter passado a ser propriedade de estrangeiros nos anos 80, nunca chegou a deixar as águas portuguesas por períodos muito longos. Adaptado, a partir de 2010, às regras mais recentes de navegação mundial, chegou a navegar pela sua nova companhia entre 2014 e 2015, realizando roteiros pelo Norte da Europa, Atlântico e Mediterrâneo.

Já o Porto, apesar de ter sido o primeiro a ser revitalizado pela companhia, que era liderada pelo empresário português Rui Alegre, não chegou a ganhar os mares com seus novos proprietários. Em vez disso, ficou atracado em Lisboa desde o final de 2013, ocupando várias áreas do porto nesse período.

Nos bastidores, sempre questionou-se a parte técnica do Porto, que teria impedido-o de voltar a navegar nesse período. O Funchal também teve sua parte técnica questionada; também nos bastidores, diz-se que o principal motivo para o cancelamento de vários cruzeiros foi, não só a baixa demanda alegada pela companhia, mas também a inabilidade do navio em operar sem novo grande investimento em seus motores e parte técnica.

Outro navio questionado, era o quinto da frota, o Princess Danae, renomeado pela companhia Lisboa. No entanto, as suposições, nesse caso, acabaram confirmadas. A Portuscale assumiu que o navio não tinha condições de navegar sem um investimento inviável em seu casco e parte técnica, e o Danae, construído nos anos 60, foi vendido para a sucata no ano passado, após ter tido sua reforma iniciada e interrompida antes de finalizada.

Com condições ou não, Porto e Funchal seguem disponíveis para venda e são vistos nas fotos no amanhecer do último dia 10, à espera de seus destinos e de um novo amanhecer em suas carreiras. Ainda que improvável, um retorno ao serviço parece possível, já que o banco em questão, não parece interessado em ofertas de sucateiros asiáticos, as mais comuns para navios dessas características.

Texto (©) Copyright Daniel Capella.
Imagens (©) Copyright Rui Agostinho.

1 Comentário:

Anônimo disse...

O Funchal é a cara do Nordeste, e principalmente de Fernando de Noronha.
Nele, começou a carreira do Diretor de Cruzeiros Alexandre Sadan, que será do Sovereign na próxima temporada.

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