Ex-Island Escape rumo ao desmanche?

|

Com o nome de Ocean Gala 1, o ex-Island Escape parece estar chegando perto da aposentadoria definitiva. Sem operar desde 2015, o navio encontra-se no Oriente Médio, e deve seguir em breve ao desmanche na praia de Alang, na Índia ou de Gaddani, no Paquistão. 

Famoso por seus mini-cruzeiros, o Island Escape operou no Brasil entre 2002 e 2009. Foi um dos mais populares navios no país nessa época, realizando cruzeiros mais acessíveis e muitas viagens temáticas.

Na época, era operado pela Island Cruises, que era uma joint-venture do grupo Royal Caribbean com o grupo First Choice, do Reino Unido. A parceria, no entanto, se dissolveu pouco depois da última temporada do navio no Brasil, e a marca Island Cruises passou a ser propriedade exclusiva do grupo britânico.

Já como Ocean Gala, atracando em Kiel, na Alemanha
Sem interesse no mercado brasileiro, a empresa ainda manteve a marca na Europa por mais seis anos, como parte da Thomson Cruises. Em 2015, com o aumento da frota da Thomson, o Island acabou vendido para uma empresa norte-americana chamada Cruise Holdings Inc.

A intenção dos compradores era manter o navio em sua frota para fretamentos. Renomeado Ocean Gala, a embarcação poderia ser utilizada como hotel flutuante ou integrar a frota de companhias menores e start-ups. Logo após a venda, a empresa firmou um contrato com o governo da Suécia, fretando o navio para servir como abrigo de refugiados no país da Escandinávia.

O Ocean Gala chegou à Suécia em junho de 2016, mas apesar do contrato, o navio não chegou a ser utilizado pelo governo sueco, que citou a diminuição no número de refugiados para justificar sua decisão. A operação acabou virando um escândalo político para o governo sueco, acusado de incompetência e má administração, já que questões importantes foram desconsideradas na hora de fechar o contrato.

O governo sueco não considerou, por exemplo, a necessidade do navio escolhido estar em acordo com as regras de classe Sueco-finlandesas - o que não era o caso do Ocean Gala. Outro ponto central foi a ausência de um porto apto a receber a operação.

Na Holanda, antes de chegar a Suécia
Complexos, como o de Gotemburgo, simplesmente recusaram o navio, temendo comprometer berços comerciais com a operação que não os trazia nenhum benefício. Assim, o Ocean Gala acabou em Utansjöverkets, local que não possui as certificações do ISPS code, e naturalmente, não poderia recebê-lo.

Com todos os problemas, o contrato com o governo sueco acabou sendo encerrado, sem que o navio tenha recebido qualquer refugiado. Dessa forma, o que seria a primeira operação do navio sob responsabilidade de seus novos proprietários acabou se tornando uma disputa: o governo sueco recusou-se a pagar os valores a que havia se comprometido, alegando ter estipulado condições, que haviam não ocorrido, para o pagamento.

Com prejuízo financeiro, a Cruise Holdings acabou colocando o Ocean Gala no mercado novamente em agosto de 2016. Apesar disso, a embarcação deixou a Suécia apenas em novembro, rumo a Dinamarca.

Desde então, o navio vem vagando por diversos portos da Europa, sem propósito claro e com condições de manutenção em deterioramento. Após um período fundeado no Chipre, o navio atravessou o canal de Suez rumo ao Oriente.

Pouco depois, foi renomeado Ocean Gala 1, e teve sua bandeira mudada. Agora está sob responsabilidade do registro naval de St. Kitts e Nevis.

Pouco antes de sua última viagem, quando um navio segue para a demolição, é prática comum renomeá-lo. Por vezes, a mudança se resume ao acréscimo ou a retirada de algum numeral ou sílaba do nome anterior, para que as mudanças físicas na embarcação sejam realizadas mais facilmente. Outra medida tomada antes do desmanche é a mudança de registro. As empresas de demolição escolhem registros menos tradicionais e de regras menos rígidas, o que facilita a operação.

Seria esse o fim do Island Escape?

Com o novo nome e a nova bandeira, encontra-se fundeado nos arredores de Dubai, aguardando autorização para atracar em um porto comercial de Abu Dhabi, na que pode ser sua última escala antes da travessia do golfo índico e a chegada em um dos desmanches dessa região: Alang, na Índia e Gaddani, no Paquistão.

 Texto (©) Copyright Daniel Capella.
Imagens (©) Copyright Daniel Capella, Hensti, Kees Torn e Christian Herrou.

0 comentários:

Postar um comentário

 

©2013 Design por Ray Câmara